O conto antigo da Gata Borralheira,O João Ratão e o Barba Azul e os 40 Ladrões,
E depois o Catecismo e as histórias de Cristo
E depois todos os poetas e todos os filósofos;
E a lenha ardia na lareira quando se contavam contos,
O sol havia lá fora em dias de destino,
E por cima da leitura dos poetas as árvores e as terras...
Só hoje vejo o que é que aconteceu na verdade.
Que a lenha ardida, exatamente porque ardeu,
Que o sol dos dias de destino, porque já não há,
Que as árvores e as terras (para além das páginas dos poetas)
Que disto tudo só fica o que nunca foi:
Porque a recompensa de não existir é estar sempre presente.
Fernando Pessoa – Poesia Completa de Alberto Caeiro


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